Bistrô

Tirem as crianças da sala! Ou não esqueça de sintonizar a publicidade com o público

28 Abr 2011

Já há muito tempo, o cinema virou palco de filmes publicitários, para além dos tradicionais trailers. Eu até gosto de ver a publicidade no telão, mas fiquei chocada com a falta de adequação ao público de um anunciante: uma loja de lingerie, pijamas e intimidades em geral. Eram 17h e o filme que passaria na sequência era HOP – Rebelde sem Páscoa, uma atração que só vale mesmo para crianças bem crianças (resistirei à tentação de criticar o filme, OK?). O anúncio mostrava uma moça de lingerie preta, bem rendada, virando-se na cama, beirando o ritual erótico. As crianças assistiram de olhos esbugalhados e muitas interrogações na cabeça.

Das primeiras coisas que a gente aprende em planejamento de comunicação é a entender o público alvo. Suas particularidades nos ajudam a compreender seus códigos e como é possível falar com ele. Aprendemos também que algumas ações terão um público prioritário, outros secundários. Às vezes, até mesmo a decisão de compra não estará nas mãos de seu público – fraldas são um ótimo exemplo, quem usa são os bebês e quem decide são as mães. Precisamos caminhar no limite entre falar com o nosso público sem ser inadequado a todos os outros envolvidos na compra, ou mesmo abordá-los separadamente.

Voltando à sessão de cinema, o público do filme era infantil. Os adultos seriam um público secundário, que tomou a decisão de ir ao cinema e a atitude da compra. Entendo que a publicidade ora seja direcionada para os adultos, mas o tom não deve ser desrespeitoso para os pequenos. No cinema, não tem desculpa: é possível escolher os filmes, as salas e os horários em que anunciar. Aí está o grande barato de utilizar esta mídia: atingir um público pequeno, mas selecionado. Fica a dica: Jogê, quando quiser anunciar em filmes infantis, que tal tentar um roteiro mais familiar?

 

 

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